Update Conheça toda a história do texto e suas repercussões ao longo dos anos baixando o e-book A Poli como Ela é... — O Livro.

De: jose roberto castilho piqueira <piqueira@guarani.lac.usp.br>
Data: Quinta-feira, 6 de Novembro de 1997 11:04
 

Parabéns pela propriedade com que você analisou as diversas questões relativas a Elétrica da EPUSP.

A única perspectiva de melhoria do panorama que você descreveu esta na atuação efetiva dos alunos no processo.

Infelizmente, eles não são ouvidos como deveriam, talvez, como você diz, porque não se expressam como deveriam, ou não tem canais adequados para isso.

Nos, aqui do LAC, temos nossos defeitos e divergências internas. Entretanto, temos, agora, um Comitê Didático com quatro professores (Felipe, Jocelyn, Jaime e eu) e dois alunos.

Após ouvir os alunos, estamos modificando nosso Controle I, completamente. Haverá dois cursos distintos, dados com enfoques e exigências diferentes : um para os "controleiros", específico e detalhista, outro com um enfoque de aplicação e menos teórico, que será dado, de maneira integrada, por dois professores que acreditamos ter boa didática e comunicação com os alunos.

Quanto ao nosso Laboratório de Controle, também vamos reestruturá-lo.

Aguardamos, caso você se disponha, suas criticas e sugestões. O espaço e seu e de seus colegas. Aproveite !

Piqueira

De: Edith Ranzini <eranzini@pcs.usp.br>
Data: Quinta-feira, 6 de Novembro de 1997 13:32

Borges

Acabei de ler o seu artigo publicado com grande destaque no número 72 do Condutor.

Fiquei triste e preocupada. Afinal, você é quase um engenheiro. E, como tal, eu esperava que você achasse importante "CONSTRUIR". Mas você mesmo afirma que, quando teve oportunidade, "resolvi soltar o verbo, dando nome aos bois e NÃO DEIXANDO PEDRA SOBRE PEDRA".

Não é minha intenção contestar o que você escreveu ou mesmo defender-me. Na realidade, todos nós, professores, fomos impiedosamente atacados no seu artigo. Acredito que alguns dos meus colegas professores vão responder ao seu ataque.

Mas é minha intenção ajudá-lo. Principalmente porque, aparentemente, você não vê perspectivas de sucesso na sua carreira profissional, quando expressa algumas dúvidas. Em particular, fiquei preocupada com a sua pergunta: "E quem vai empregar um cara assim sem quaisquer experiências e sem objetivos?"

Acho que eu posso ajudá-lo a responder a essa pergunta (ou melhor, a fazê-lo ver que a pergunta está errada). Que tal conversarmos?

Estou aguardando uma resposta sua para marcarmos um horário. Por favor, sugira algumas datas.

Atenciosamente

Edith Ranzini (Sala C2-45 – PCS214 e PCS527)

De: Felipe M Pait <pait@guarani.lac.usp.br>
Data: Quinta-feira, 6 de Novembro de 1997 14:51

Gostei do seu artigo no condutor. Estava muito divertido, especialmente a parte que você descrevia as salas dos professores.

Eu levei na esportiva, primeiro porque tem coisa demais querendo deixar a gente de mal humor, segundo porque concordo com você no atacado: há muita coisa errada no curso de graduação da Poli.

Infelizmente não tenho certeza de quem precisa de um puxão de orelha, como você diz, esteja lendo o que você escreveu, ou que se importe.

Tem professores num terceiro grupo: os que estão tentando fazer o melhor trabalho possível e ficam chateados em ver que as criticas chegam a ser tão fortes. Se quisermos mudar alguma coisa aqui na Poli, é esse pessoal que tem que ser convencido. Vai levar um tempo...

Mas criticas destrutivas também tem seu papel: sacudir as pessoas de um certo comodismo, que é o que você tentou e está conseguindo...

Quando eu era aluno na Elétrica as maiores reclamações dos colegas eram.... banheiros sujos e pegar a opção que não queria. Já faz mais de dez anos, e nada mudou.

Mas realmente há um corporativismo enorme aqui na USP. Quem se encosta se encosta, e pronto. Os outros não querem mexer; se quisessem, não teriam como; e se tivessem como, os outros não deixariam.

E realmente, os alunos não ajudam a fazer pressão.

Quanto à avaliação do ensino, é ainda mais difícil e problemática: é fácil saber que um professor "se desincumbiu de sua carga didática", agora saber se ensinou alguma coisa, isso não é
nem um pouco fácil. Está havendo algum esforço nessa direção; aquelas fichas de avaliação que os alunos recebem fazem parte disso. Quem sabe com o tempo muda? Isso só vai acontecer com a pressão e ajuda dos alunos. É em parte por isso que sou tão favorável a currículos com o maior numero de disciplinas eletivas possível: cursos ruins ficam com menos alunos, e mesmo se nada for feito contra os responsáveis, ao menos eles tem menos alunos e causam menos estrago. Além disso disciplinas eletivas permitem uma formação mais aberta, que é um problema que você apontou na Poli.

Se você tiver um tempo, e quiser dar uma olhada numa sugestão minha para currículo de Engenharia Elétrica, abra:

http://www.lac.usp.br:80/~pait/PEE/graduacao/curriculo.html

O objetivo da proposta que está lá é em grande parte resolver os problemas que você apontou, preservando o que há de bom na Engenharia Elétrica, na Poli, e na USP: muitos professores bons e dedicados. Dê uma olhada, me mande críticas e comentários, e passe adiante para os colegas.

Só um reparozinho: todo o pessoal do quarto e do quinto ano de Automação & Controle tem conta em estações Unix com acesso à Internet. Pelo menos desde que conseguimos instalar estações em numero suficiente para mais ou menos atender a demanda.

Felipe