Update Conheça toda a história do texto e suas repercussões ao longo dos anos baixando o e-book A Poli como Ela é... — O Livro.

De: Marcelo Grinberg Friedhofer <mgfri@sti.com.br>
Data: Quarta-feira, 12 de Novembro de 1997 00:58

Colega,

Parabéns pelo artigo publicado no Condutor!

Gostaria que me mandasse, se possível, as demais respostas que porventura chegarem, pois gostaria de acompanhar de perto a repercussão do seu artigo, junto aos alunos e professores.

Quanto ao fato de seu artigo ser lido no Biênio, você já tentou publicá-lo no Politreco?

Por mais que os alunos tentem (se é que tentam), jamais conseguirão mudar a situação da nossa faculdade devido à tal meia dúzia de "caciques" no poder.

É bem provável que ao final do 5º ano eu também "solte os cachorros"...

Um grande abraço,

Marcelo

De: Marco <maaj@sti.com.br>
Data: Sábado, 1 de Novembro de 1997 17:21

Julio,

Sensacional o seu "ensaio" sobre o ensino na Poli. Gostaria de comentar que não é só na sua Escola de Engenharia que isso acontece. Isto é generalizado. Já passei pela FEI e agora estou na UNIP, conheço também alunos de engenharia de outras escolas como Mackenzie e Mauá e todos passam pela mesma situação, a diferença é que alguns, como eu, ainda se importam.

Outra diferença é que nós pagamos a faculdade. O que é ainda pior, pois como contratantes de um serviço, este deveria, no mínimo, nos satisfazer. Quando contratamos um pintor e ele faz um serviço porco, nós o dispensamos e contratamos outro, correto? Pois infelizmente isso não acontece com nossos professores, que não apresentam um trabalho, pelo menos, razoável, e nos fazem de palhaços. Quando existe alguma manifestação para exigir uma aula melhor, ou uma troca de professor, sempre ficamos sabendo que tal professor é amigo de não sei quem, é parente de não sei qual diretor, ou ainda, que fornece os materiais dos nossos laboratórios, como ocorre com nosso professor de "Eletrônica I". Ou seja, nos resta aceitá-lo. Ele e seu índice de reprovação altíssimo!

Acho, ou melhor, tenho certeza, que nós escolhemos uma carreira totalmente equivocada, jogamos fora nossa juventude, algo que não volta nunca mais. Nós ainda temos alguma consciência e provavelmente vamos nos dar bem no mercado de trabalho, assim espero, pois não somos aqueles idiotas bitolados que nunca participam de um evento social, compram um livro que não seja de Física Quântica e afins, e com o perdão da palavra, nunca comeram ninguém.

Você deveria ser o orador da sua turma de formatura e falar tudo isso que você escreveu em público, para todos ouvirem. Principalmente nossos pais, que sempre nos cobram tanto e não têm a mínima idéia de onde nós amarramos nossos burros. Você também deveria enviar esse seu "ensaio" para alguma revista. A VEJA por exemplo, quem sabe até com mais opiniões de seus colegas engenheiros e estudantes de engenharia. Não vamos conseguir mudar nada, mas pelo menos vamos estar avisando àqueles que "sonham" em ser engenheiros. Que acham que vão ficar ricos e ser chamados de doutores, e serão respeitados como antigamente.

Não vale a pena, essa é a única conclusão que eu tirei desses meus anos como estudante de Engenharia. Vou concluir meu curso em 8 anos (isso mesmo !!!) e tenho consciência que de nada me servirá. Não tem essa de que engenharia é um curso teórico que ensina o aluno a se virar. Isso a vida é quem ensina, só depende de cada pessoa.

É meu amigo, isso é um pouco do que eu tinha a lhe dizer. Você não é o único revoltado. Tenho pelo menos uma dúzia de amigos assim. Vamos nos encontrar e afogar as mágoas !

Abraço

/\/\arco

"A função do aluno é pagar a Universidade. A função da Universidade é entregar o diploma ao aluno. O Professor é a peça que atrapalha o negócio." (Meu professor de Eletromagnetismo)

De: Fabi Fagundes <ffagun@mandic.com.br>
Data: Domingo, 2 de Novembro de 1997 19:49

Julio...

Eu li. Pela primeira vez que eu me deparo com um mail desse tamanho e leio. E em que pese meu total apoio, eu preciso tecer algumas considerações.

Toda faculdade tem todos os defeitos que a Poli tem, tirando o do nerdeísmo amplo e irrestrito que assola a Poli. - Sim, é verdade... Nerds todas têm, mas não nessa proporção de 110% (os dez vão por conta de alguma teoria que eu já ouvi falar de um politécnico que insistia em provar que o todo era constituído de 110%, mas enfim, como ele era nerd mesmo, não tive muita
paciência de prestar atenção!)

Outra questão, é que suas críticas foram tão concretas e brilhantes, que duvido que algum diretor que as leia, vá deixar de sofismar baseando-se nas seguintes premissas: 

Julio é brilhante (exemplo hipotético obtido a partir da carta)

Ora, Julio formou-se pela Poli

Então A Poli forma pessoas brilhantes.

Ora, mas se A Poli forma pessoas brilhantes e

Essa carta comete assaques à Escola

Logo Essa carta é insubsistente, por ser paradoxal.

Risos, cuidado, então, da próxima vez que for escrever uma carta dessas, porque sem mácula nenhuma (ao menos sem nenhuma muito digna de menção), você estará assinando a evidência de que a Poli forma bons profissionais... hehehe

Eu sei, eu sei, que tudo isso que existe dentro da sua cabecinha (não é pejorativo, apenas uma maneira carinhosa de tratar uma criança inconformada) não é resultado do que você aprendeu na Poli, e sim de uma bagagem de vida - mas..... se eles encararem o vestibular como boa forma de seleção de seus pupilos, ainda é bem capaz de eles chegarem e falarem que a Poli tem essa grade - quase que desprovida de outra ciência que não a exata - pois seus alunos já entram com a suficiência necessária nas outras matérias.....

Entende o meu ponto de vista.... portanto, mais cuidado com as suas cartas paradoxais.... hehehe

Brincadeira. Parabéns, contudo, e leve a minha solidariedade.

Saludos

Fabi

De: Paula Lopes <tuscalopes@originet.com.br>
Data: Domingo, 2 de Novembro de 1997 22:44

Oi Jujú

Olha um conselho da "velha" amiga: dê graças a Deus que o a tortura já acabou. Sabe, no final das contas eu não ligo não se a qualidade de ensino da minha faculdade foi boa ou não (não foi a USP) porque eu nunca tive a ilusão de que seria através da faculdade que eu iria me tornar uma profissional pronta para a vida, o que na real deveria acontecer. Isto aconteceu somente depois que eu "caí" na vida.

Mas pelo menos eu escolhi um lugar, eu fui estudar no interior, que me fez crescer muito como ser humano e conhecer pessoas muito legais, além de ter a oportunidade de curtir muito a natureza.

Pensando bem, a faculdade me preparou legal para a minha atividade atual, na área ambiental, mas veja que foi totalmente ao acaso e pouco tem a ver com as matérias de dentro das salas de aula. No final acho que valeu, é Jujú tem que valer alguma coisa.

Ontem também tivemos uma avaliação do semestre no curso, como somos mais grandinhos, botamos prá fuder também lá na FSP. Falamos de alguns professores que passam informação desatualizada, das formas inadequadas de avaliação, dos "n" trabalhos exigidos que acabam ficando uma bosta pela falta de tempo dos alunos, do horário apertado que acaba afetando no desempenho do aluno, e otras cositas más..... Detalhe: isto na Pós-Graduação!!!

Muito pertinente a réplica do seu (?) professor Felipe, ele vai no âmago da questão.

Mas até que os professores estão sendo condescendentes contigo, por enquanto estão pegando leve. Está correto porque se eles forem num mínimo responsáveis eles não devem cair de pau em você e sim se preocupar com toda a problemática exposta e trabalhar para melhorar e repensar a qualidade de ensino. Toda a estrutura e método devem ser repensados.

Você sabia que na época que o Goldberg (?) foi reitor na USP ele publicou uma lista negra dos professores que não estavam produzindo trabalhos (teses) a contento? Foi um puta auê, isso vai completamente contra ao protocolo mas foi tipo uma advertência. Se bem que eu acho que eles deveriam ser analisados periodicamente em sala de aula.

Beijinhos

Paula

P. S.: Você não é o único que tem esse sentimento de insatisfação e impotência em relação a faculdade, o meu namorado que fez a Poli de Lausanne, costuma(va) esbravejar igualmente!!!!

De: Renato Carvalho <renato.carvalho@mgdk.com.br>
Data: Sexta-feira, 7 de Novembro de 1997 20:12

Julio,

Você realmente me impressiona! Uma capacidade retórica fenomenal. Valeu.

A propósito, discordo fundamentalmente da sua avaliação por pensar que todos os problemas da Poli não são efetivamente da Poli, mas nossos. É o mesmo que acontece com o governo. O brasileiro, e por conseguinte os Politécnicos, devem aprender a dedicar mais tempo a trabalhos sociais e efetivamente viver em sociedade.

Julio, concordo com você, porem temos grande parte da culpa ...

Abraço,

Renato Carvalho

De: Ana Paula Rolim Prestes <anapaula@cruzeironet.com.br>
Data: Segunda-feira, 10 de Novembro de 1997 02:37

Julio

Adorei aquele mail sobre a Poli. Meu namorado faz Elétrica na UNICAMP e viajou com o seu mail.

Julio, não é querer ser mártir e achar que mudaremos o mundo. A questão é que se alguém não reclamar essa caquinha continua do mesmo jeito sempre, e todo mundo fazendo de conta que tá bom e contente com isso.

É muito fácil reclamar da meia-entrada (melhor nem lembrar o episódio das carteirinhas da UNE), apoiar o MST, o Timor Leste, os sem-teto, e um sem fim de "sem" por aí, e não reivindicar, no caso das universidades particulares, os grêmios que não dão curso para seus alunos e que só pensam nas festinhas, o estado das bibliotecas, as porcarias de professores que só sabem se auto-promover num caso de narcisismo crônico, e que, logicamente, quando são contestados sobre isso, lembram carinhosamente de seus queridos alunos ferrando-os com trabalhos e provas com notas um tanto quanto subjetivas.

Ótima despedida da Poli, a sua. Parabéns! 'Té mais!

Beijos,

Ana

De: Rafael Gomez <arcano9@hotmail.com>
Data: Quinta-feira, 13 de Novembro de 1997 13:28

Estimado amigo Julio,

Não é de se admirar que seu texto tenha causado polêmica na Poli. Seu tom por vezes cáustico e definitivamente franco vão de encontro a muito que ouço há tempos de alunos de Engenharia da USP - incluindo aí meus próprios irmãos que, deixando bem clara a "Inércia Poli", cursaram os cursos de Engenharia Civil e Mecânica entre as décadas de 70 e 80.

Mas o que é realmente triste, deprimente, é que inúmeros itens que você cita como arquétipos da ineficiência educacional da USP em sua Unidade podem ser facilmente comprovados em uma unidade tão diversa como era a minha, A ECA.

Como você sabe, acabei de me formar, após 5 anos de labuta nos prédios adjacentes à antiga reitoria. Cinco anos que, fazendo um breve balanço, foram decorados com desrespeitos notáveis. Banheiros limpos? Você deve estar brincando - os dois banheiros do Departamento de Jornalismo parecem ter um cheiro eterno de urina amanhecida, horrendo, como se os urinóis jamais houvessem recebido um lisoforme. Mato crescendo em todos os cantos ao redor dos prédios? Barro? Algo muito comum... típico da ECA... Muitos atribuem nosso "beautiful landscape" à proximidade da Praça do Relógio; Outros, lembram que volta e meia trabalhadores da reitoria vem e cortam, sim, todas as ervas daninhas.

Mas, para mim, que já vou abandonando a Universidade, a lembrança que fica é a de uma ECA como um oásis de concreto sujo em meio a um oceano de mangues e pastagens.

Pastagens... para alguns professores, diga-se de passagem! A questão dos professores eternos, baluartes da qualidade do ensino na Poli, também encontra eco nos corredores ecanos. No nosso caso, muitas vezes o que irrita mais é que os velhinhos, embora simpáticos, estão há tanto tempo
afastados do mercado profissional que simplesmente não sabem como se deu o desenvolvimento de suas disciplinas nos últimos anos. Um exemplo: tive uma disciplina batizada de "Projeto Gráfico Jornalístico". Projetos gráficos para revistas ou jornais, hoje em dia, são inconcebíveis sem o auxílio de computadores com softwares de editoração como o Pagemaker, o Coreldraw e outros ainda mais modernos. Pois bem, o professor, logo na primeira aula, se desculpou, dizendo não entender nada de computadores, embora admitisse que hoje, no Jornalismo gráfico, eles são iniciais. E ministrou suas aulas com o auxílio de cartolinas, réguas, tesouras e revistas velhas... como nas aulas de artes do primário!

Acredito que em toda a USP o problema é semelhante: há uma inércia incrível, não há gente que determine se um professor não está mais apto para lecionar, ou se ele nunca está presente na universidade para tirar dúvidas, ou se ele dedica mais tempo a suas pesquisas e não dá a mínima
para as classes. Digo, sem medo de estar errado, que os professores dão cobertura uns aos outros, formam uma máfia conivente, enquanto acredito que todos deveriam vigiar permanentemente em prol do bom ensino.

Talvez, se toda essa "red tape" que existe no processo de demissão ou afastamento de um membro do corpo docente fosse suavizada ou suprimida, e se fossem vigiados permanentemente, nossos "mestres" tomariam mais cuidado com sua atualização e seu atendimento ao aluno.

Professores, ao ler o último parágrafo, poderiam argumentar que a vigilância deveria ser efetuada pelos alunos, que deveriam, através de seus representantes, botar a boca no mundo. Pois é. Mas isso não acontece. E, sim, é culpa dos alunos. Desde o final dos anos 70, tem aumentado a alienação dos Universitários que, mesmo cursando a FFLCH ou outras unidades ditas "engajadas", raramente vão além de uma conversa nos centros acadêmicos no momento de expor suas reclamações.

Mas é evidente que essas atitudes também advém da própria atitude dos dirigentes da Universidade, dos funcionários e dos professores, que a cada dia dão menos valor à difícil tarefa de preparar os jovens para o futuro e mais tratam a USP apenas como uma fonte de renda. Falta preocupação, falta vontade, sobram "e daís". E eis os estudantes, muitas vezes engolidos pelo mercado de trabalho que os molda às suas necessidades, e os fazem crer que, se eles tem um salário bom, não importa ter cultura, saber escrever ou discutir. Importa apenas fazer bem seu trabalho. Isso significa, em engenharia, fazer os cálculos ou desenvolver bem um software em rede. E, em jornalismo, escrever o que-quem-como-onde-por que à Folha de S. Paulo.

Felizmente, há muitos professores e alunos que são exceções, e estão preocupados com os defeitos deste micromundo em que estamos. A esses, todos os prêmios: são verdadeiros heróis, que continuem a fazer os outros pensar, a ocasionar terremotos em suas Shangrilás. A você, incansável lutador Julio, um fraterno abraço.

Rafael Gomez

PS. Julio, por favor, revise e divulgue este texto e, se possível, apresente-o ao jornais da POLI... assim, juntarei minha lamúria à sua e "Fiat Lux"!

De: Daniel de André <daniel@ceveh.com.br>
Data: Sexta-feira, 12 de Dezembro de 1997 12:42

Julião,

Desculpe a demora para responder, mas fiquei algum tempo sem micro, agora estou de volta a ativa...

Primeiro porque o camarada, que no Colegial tiver a intenção de estudar Engenharia, será automaticamente isolado de seus colegas de Humanas e de Biológicas. (Isso significa ser isolado da grande maioria das meninas, dos eventos culturais e sociais do colégio.)

Do ponto de vista social, talvez seja ate bom o futuro politécnico se conformar em ser excluído das companhias femininas... Ele já vai se acostumando com a dura carreira acadêmica da POLI. :)

O Vestibular para Engenharia deveria voltar ao que era há cinco ou seis anos trás. Naquele tempo, favorecia-se aqueles candidatos que possuíam uma visão de mundo mais abrangente e mais diversificada, e não aqueles candidatos de olhar estreito, de interesses pouco variados e de horizonte restrito ao universo de Exatas. O Vestibular favorecia os generalistas e desfavorecia os especialistas.

Concordo com você, entretanto acho que o vestibular não seleciona ninguém. Como é possível definir a vida acadêmica de um moleque a partir de um conjunto único de provas? Porque não avalia-lo durante todo o colegial, e estabelecer provas finais apenas para que ele possa melhorar as notas que teve durante sua vida acadêmica?

O resultado é que, em cinco anos de convívio com colegas bitolados, de imaginação estéril (que só vivem para seus aparelhos – televisão e computador), e com raríssimas meninas, o sujeito, que um dia foi normal, sai da Poli transtornado, bobo, analfabeto - sem ter lido um único livro, sem saber viver em sociedade, sem saber dar bom-dia a uma mulher, sem saber o que é ir a uma festa sem beber, sem ter amigos que não os da Poli, sem ter viajado, sem ter se aventurado, sem ter se arriscado, sem ter se rebelado, sem ter rido, sem ter chorado - enfim, sem ter vivido boa parte de sua juventude. E quem vai empregar um cara assim - sem quaisquer experiências e sem objetivos?

Acho que aí reside um problema: no âmago do seu argumento, o que você quer dizer é que na POLI, "o inferno são os outros", que o problema é o tipo de aluno que entra na instituição. Não acredito que o vestibular consiga (ou não) ter poder de selecionar pessoas mais "completas". É só uma prova. O que eu acho errado neste caso é o fato das unidades serem separadas fisicamente (e isso não será mudado). Se as faculdades fossem juntas, tivessem espaços de lazer que favorecessem a integração, as coisas seriam mais fáceis.

A Escola (em período integral) toma tempo demais do aluno. De modo que: ou ele se dedica inteiramente à Faculdade, estudando em excesso e reduzindo seu universo à trinca "sala de aula, biblioteca, mesa de estudo"; ou ele se revolta, preenche suas horas livres com dependências (ou não), para, no fim, formar-se Engenheiro, porém com horror à Engenharia - o que é, no mínimo, intrigante.

A questão é: existe necessidade desta carga de matérias? Na FAU com certeza não existe.

Os professores nunca estão em suas salas: seja para tirar dúvidas; seja para revisar uma prova. Na Poli, passeia-se muito. Na Matemática e na Física também. Muitas viagens, muitos congressos e muitos cafezinhos - afinal ninguém é de ferro. Alguns dos professores, ironizando a baixa produtividade de seus colegas, colam, na parede de seus gabinetes, um adesivo um tanto quanto ilustrativo: - "Aqui se trabalha." Como se dissessem: - "Ninguém na Escola trabalha; mas nós aqui abrimos uma exceçãozinha..."

Os professores, definitivamente, não preparam as aulas. Consideram suas lousas claras e organizadas, como se fossem auto-explicativas. Quando não apelam para o retro-projetor (popular "máquina do sono"). Consideram suas anotações de aula suficientes e inteligíveis.

E cai na prova o que foi dado em classe; e o que foi dado nas outras classes também, uma vez que o programa é extenso e que cada professor aborda o assunto que bem entende. O aluno que se vire para assistir a tudo simultaneamente. (Vide "Controle I").

A prova estava difícil? a média foi baixa? Então, "os alunos continuam estudando errado!"

As notas não saíram? Não tem importância, abre-se a substitutiva! (Vide professores de Eletrônica.)

Pensando melhor, eu sou o professor e "solto as notas quando eu quiser!"

Entendo perfeitamente o que você quer dizer... Afinal de contas, o problema de tudo isso, é que estabeleceu-se um método de produção do profissional, seja ele engenheiro ou historiador: Não existe um efetivo acompanhamento do aluno. O que existe é uma grande maquina onde entram burros e saem jumentos (para levantar uma piadinha destinada a vocês politécnicos :) )

Não se exige nada dos nossos digníssimos professores; não são cobrados por ninguém, não têm de prestar contas. Afinal, Poli não é uma empresa: não se trabalha por um objetivo comum; cada um vive apenas para o seu mundinho. (E, às vezes, nem isso.)

Esse sim é um problema gravíssimo! Quem controla os professores? Aqui na Historia ninguém...

Por quê os politécnicos não reclamam? Ora, muito simples: como um aluno com um, dois, ou até cinco ou seis anos de Poli vai mudar uma estrutura que se mantém imutável há cem anos??

Acho que existe algo pior. Como você mesmo disse, como alguém que não tem vivência social, como os alunos da POLI, pode escrever e reivindicar alguma coisa??

E eu não poderia deixar de falar nas nossas salas equipadíssimas: sem ventilador, sem retro-projetor (conquanto seja odiado pelos alunos, os professores não vivem sem ele), sem tomadas que funcionem, sem giz, sem lousa limpa, sem lixo, sem porta, sem luz, sem ventilação.

Quanto ao suporte em termos de Informática, quase que não vale a pena comentar. Basta dizer que somente os alunos de Computação (ou seja, do Quarto Ano em diante) têm direito a usar PCs ou Workstations.

A verdade Julio, eu penso que tudo que depende exclusivamente do governo está fatalmente perdido. Vocês aí na Poli pelo menos não tem pruridos de recorrer a iniciativa privada, de tentar conseguir crescer sem as "tetas" do governo.

Como eu vou conseguir te explicar que aqui na História as pessoas ainda sofrem de pruridos ideológicos de se misturar iniciativa privada e faculdade? Cada lugar tem suas próprias idiossincrasias.

De qualquer forma, cada vez mais acredito que a solução dos problemas do cotidiano passa pela ação individual, pelo conjunto de pequenos esforços de cada um dos membros do grupo. Estou cansado de esperar que aqueles que têm a "obrigação" de fazer o seu trabalho o façam...

Quer um exemplo? A nossa biblioteca é uma zona. Temos um acervo monstruoso de periódicos que não estão catalogados: ou seja, não é possível fazer uma consulta e descobrir o que existe dentro deles!!! Para que serve isto então???

Ano que vem pretendo juntar um pessoal (fora da estrutura "governamental" do CA ou da direção da Faculdade) para dedicarem uma hora de seu tempo por dia para catalogar alguns periódicos... (Não é pedir demais, né ?)

font face="Times New Roman">Acho bom que você tenha podido desabafar sobre a POLI. Alivia, eu sei.

Como eu já disse, estou convencido que só a ação individual pode fazer alguma coisa contra isso.

Mais uma vez me perdoe pela demora em responder. Nas próximas serei mais rápido (estive em final de semestre também...)

Abraços

Dani